top of page

Nova classificação do infarto em 2026: o que mudou na Quinta Definição Universal

Foto do escritor: Dr Thiago Bandeca
Dr Thiago Bandeca
29 de ago.
3 min de leitura

Em 28 de agosto de 2026, as principais sociedades cardiovasculares internacionais publicaram a Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio. O documento, elaborado em conjunto pela European Society of Cardiology, American College of Cardiology, American Heart Association e World Heart Federation, substitui a classificação numérica tradicional por três categorias clínicas baseadas na fisiopatologia: infarto primário, infarto secundário e infarto relacionado a procedimento.

O que mudou na classificação do infarto?

A classificação anterior dividia o infarto em tipos 1, 2, 3, 4a, 4b, 4c e 5. A nova definição abandona essa numeração e organiza os eventos conforme o mecanismo predominante. O objetivo é aproximar o diagnóstico da causa real do dano isquêmico e tornar a classificação mais útil para decisões clínicas, pesquisa e codificação em saúde.

1. Infarto do miocárdio primário

O infarto primário corresponde ao evento espontâneo provocado por uma patologia coronariana aguda. A aterotrombose continua sendo a causa mais frequente, mas a nova categoria passa a incluir também mecanismos como dissecção espontânea de artéria coronária, embolia coronariana, vasoespasmo e determinadas falhas tardias de stent ou enxerto quando ocorrem mais de 30 dias após o procedimento.

Essa mudança é relevante porque reconhece mecanismos que antes podiam ser enquadrados em outras categorias, apesar de representarem doença coronariana aguda primária.

2. Infarto do miocárdio secundário

O infarto secundário ocorre quando outra condição aguda provoca desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio no miocárdio. O diagnóstico exige evidência de isquemia associada à lesão miocárdica aguda e critérios objetivos que ajudem a diferenciá-lo de elevação de troponina sem infarto.

Situações como anemia grave, hipóxia, taquiarritmias, hipotensão ou outras condições críticas podem aumentar a demanda ou reduzir a oferta de oxigênio. A presença de troponina elevada, isoladamente, não confirma infarto.

3. Infarto relacionado a procedimento

A nova definição reúne em uma única categoria os infartos que surgem como complicação de procedimentos cardíacos percutâneos ou cirúrgicos dentro de 30 dias. Isso inclui intervenções coronarianas, cirurgias de revascularização, procedimentos estruturais, ablação por cateter e outras cirurgias cardíacas.

Troponina elevada não significa necessariamente infarto

A Quinta Definição reforça uma distinção essencial: lesão miocárdica e infarto do miocárdio não são sinônimos. A lesão miocárdica aguda é caracterizada por elevação e variação da troponina cardíaca. Para diagnosticar infarto, é necessário demonstrar que essa lesão ocorreu por isquemia, com apoio do quadro clínico, eletrocardiograma e, quando indicado, métodos de imagem.

Limites de troponina específicos para homens e mulheres

Outro ponto importante é a recomendação de utilizar o percentil 99 específico por sexo nos ensaios de troponina cardíaca de alta sensibilidade. Mulheres apresentam, em média, valores de referência inferiores aos dos homens. O uso de um único ponto de corte pode contribuir para subdiagnóstico de lesão miocárdica e infarto em pacientes do sexo feminino.

Imagem cardíaca ganha mais importância

A nova definição estimula maior uso de angiografia coronariana e métodos de imagem cardíaca para identificar o mecanismo responsável pelo infarto. Isso é particularmente útil em apresentações sem obstrução coronariana evidente, nas quais diferentes mecanismos podem exigir abordagens distintas.

E o termo MINOCA?

A definição de MINOCA também foi revista. O documento passa a enfatizar o conceito de lesão miocárdica com artérias coronárias não obstrutivas como um diagnóstico de trabalho. Isso reforça a necessidade de investigação da causa antes de se considerar o processo diagnóstico concluído.

O que essa mudança representa para o paciente?

Na prática, a nova classificação busca reduzir diagnósticos imprecisos e direcionar a investigação para o mecanismo responsável pelo evento. Dois pacientes com troponina elevada podem ter doenças completamente diferentes e, portanto, necessitar de estratégias distintas de tratamento e prevenção.

Para quem apresenta dor no peito, falta de ar súbita, sudorese fria, náusea ou desconforto torácico persistente, a orientação permanece a mesma: procurar atendimento médico de urgência. A classificação ajuda a equipe a compreender melhor a causa do evento, mas não modifica a necessidade de avaliação imediata diante de sintomas sugestivos de síndrome coronariana aguda.

Referências

Thygesen K, et al. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction. European Heart Journal. Publicado em 28 de agosto de 2026. doi:10.1093/eurheartj/ehag101.

American Heart Association. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction: Top Things to Know. 28 de agosto de 2026.

American College of Cardiology. Global CV Societies Release Updated Universal Definition of MI. 28 de agosto de 2026.

European Society of Cardiology. Fifth Universal Definition of Myocardial Infarction. 2026.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page