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Implantes de marcapasso: o que os dados da ESC mostram sobre ritmo cardíaco, envelhecimento e acesso ao cuidado

  • Foto do escritor: Dr Thiago Bandeca
    Dr Thiago Bandeca
  • 2 de jul.
  • 3 min de leitura

O marcapasso é um dispositivo implantável usado em situações específicas em que o coração apresenta ritmos lentos ou bloqueios de condução que comprometem a segurança, a capacidade funcional ou a qualidade de vida do paciente. Ele não é indicado apenas por idade avançada nem por um exame isolado. A decisão depende de sintomas, eletrocardiograma, monitorização do ritmo, doenças associadas e avaliação cardiológica individualizada.

Um material do Atlas ESC 2025 chamou atenção para a enorme variação no número de implantes de marcapasso entre países. Segundo o levantamento, os implantes variaram de menos de 50 por milhão de habitantes em Azerbaijão e Turcomenistão até mais de 1000 por milhão de habitantes em Dinamarca, Letônia, França, Suécia e Alemanha.

O que esses números significam?

Diferenças tão grandes não significam, automaticamente, que um país tenha mais doença cardíaca que outro. O número de implantes pode refletir envelhecimento populacional, maior detecção de bradicardias e bloqueios, acesso a cardiologistas, disponibilidade de exames, estrutura hospitalar, políticas de saúde, treinamento de equipes e capacidade de implantar e acompanhar dispositivos cardíacos.

Também pode haver subdiagnóstico em regiões com menor acesso. Uma pessoa com tontura, desmaio, cansaço extremo ou queda inexplicada pode ter alteração do ritmo cardíaco, mas só receber o diagnóstico se houver consulta, eletrocardiograma, Holter ou outro tipo de monitorização disponível.

Quando o marcapasso pode entrar na conversa clínica

O marcapasso pode ser considerado em alguns casos de bradicardia sintomática, bloqueios atrioventriculares avançados, pausas importantes do ritmo cardíaco, doença do nó sinusal ou outras alterações de condução. Em alguns pacientes, essas alterações causam desmaio, tontura, fadiga, falta de ar, confusão, intolerância ao esforço ou quedas recorrentes.

A indicação não deve ser confundida com prevenção genérica. O dispositivo trata problemas específicos do sistema elétrico do coração. Por isso, é fundamental correlacionar sintomas com registros do ritmo cardíaco e excluir causas reversíveis quando possível, como alterações de eletrólitos, efeitos de medicamentos, hipotireoidismo, infecções, isquemia ou outros fatores clínicos.

Envelhecimento e ritmo cardíaco

Com o envelhecimento, aumentam a prevalência de doenças cardiovasculares, degeneração do sistema de condução, fibrilação atrial, uso de medicamentos que interferem na frequência cardíaca e necessidade de acompanhamento mais próximo. Isso ajuda a explicar por que países com população mais envelhecida e sistema de saúde estruturado tendem a identificar e tratar mais alterações do ritmo.

A discussão sobre marcapasso, portanto, também é uma discussão sobre longevidade. Viver mais exige capacidade de diagnosticar condições que afetam autonomia, risco de quedas, tolerância ao esforço e segurança no dia a dia.

Sintomas que merecem avaliação

Procure avaliação se houver desmaio, quase desmaio, tontura recorrente, palpitações, cansaço fora do habitual, falta de ar aos esforços, queda de desempenho, confusão transitória, sensação de coração muito lento ou quedas sem explicação. Em idosos, sintomas podem ser menos típicos e aparecer como fraqueza, instabilidade, sonolência ou perda funcional progressiva.

O eletrocardiograma é um exame inicial importante, mas nem sempre registra a alteração se ela for intermitente. Em alguns casos, o cardiologista pode solicitar Holter, monitorização prolongada, ecocardiograma, exames laboratoriais ou investigação complementar, conforme o padrão dos sintomas.

Depois do implante, acompanhamento é essencial

O marcapasso não termina o cuidado no momento do implante. O paciente precisa de seguimento para avaliar funcionamento do dispositivo, bateria, programação, sintomas, presença de arritmias, ferida operatória no período inicial e integração com outras condições cardiovasculares. O acompanhamento regular reduz riscos e melhora a segurança do tratamento.

Mensagem final

Os dados da ESC mostram que tecnologia cardiovascular não depende apenas de existir. Ela precisa chegar ao paciente certo, no momento certo, com diagnóstico correto e seguimento adequado. O marcapasso pode transformar a vida de quem tem indicação, mas a decisão deve ser técnica, individualizada e baseada na relação entre sintomas, ritmo cardíaco e contexto clínico.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica. Sintomas como desmaio, tontura recorrente, falta de ar, dor no peito ou piora rápida do estado geral devem ser avaliados por profissional habilitado.

Fonte principal: ESC Atlas of Cardiology, Cardiovascular Disease Statistics 2025, Number of Pacemaker Implantations. Fonte citada no material: Timmis A, Petersen SE et al. European Society of Cardiology: Cardiovascular Disease Statistics 2025. European Heart Journal. 2026.

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